A toponímina
das cidades, tanto nos contextos das zonas rurais e urbanas, constitui um imensurável
valor histórico, no que diz respeito aos referenciais contidos
em suas denominações. Ora apresenta referencial a um símbolo cristão, como é o
caso dos lugares denominado de "CRUZ DE ALMAS" e "SANTA
CRUZ", ora faz ligação do lugar com um fato ligado ao espírito, no
caso do Sítio denominado de "MALASOMBRADO", que é uma corruptela de mal
assombrado, ora faz menção aos santos que foram canonizados pela Igreja Católica Apostólica Romana - como no caso
dos sítios SÃO LOURENÇO, SÃO SABINO, SÃO JOSÉ, SÃO VICENTE e SÃO LUÍS.
Partindo
do princípio de que "UMA CIDADE SEM MEMÓRIA É UMA CIDADE SEM
ALMA", é que resolvi enveredar pelo resgate histórico de alguns topônimos, que já não mais existem nos
documentos oficiais da contemporaneidade, nem é do conhecimento dos jovens.
Restam apenas guardados nas memórias dos que já ultrapassaram o último quartel
da vida material.
No
famoso "QUADRO DA RUA", que compreende as ruas São João Batista e N.
Sra. da Conceição pegando até o Banco do Brasil e a parte que engloba o Colégio
"Gerson Lopes", até a Loja de tecidos do Sr. João Lucas existiam seis
becos (onde está a ACDA era só um terreno) que compreendem as ruas
transversais. No sentido Cemitério-Lagoa, o primeiro beco da rua N. Sra. da
Conceição era conhecido como sendo o 'BECO DE ANÁLIA DO HOTEL", cuja denominação
toponímica era conhecida até o ano de 1960. Anália nasceu em 1896 e tinha o nome
civil de Anália Gomes de Oliveira, e era prima do
Coronel Lucas Pinto,
como também genitora da Professora Dra. MARIA GOMES DE
OLIVEIRA, Apodiense que se destacou e se destaca no cenário
histórico-educacional como tendo sido a PRIMEIRA REITORA DO BRASIL, como
gestora da então Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN),
atual UERN.
Delineando
o outro perfil toponímico do primeiro beco da rua São João Batista,
no sentido Cemitério-Lagoa, era conhecido como sendo o "BECO DE
LUZIA DE PURANA", posto que ela residia no antigo casarão
senhorial que depois sediou o famoso "Bar Satélite", nas décadas de 60
e 80 (1964 a 1980). Este casarão senhorial foi demolido no ano passado pelo seu
atual proprietário Sr. Erivan Marinho.
A
Sra. Luzia de Purana tinha o nome civil LUZIA FERREIRA LEITE, prima de Sêo
Vicente Leite, e era casada com o Francisco das Chagas Barros (Chico Vitor),
sendo sido este respeitável casal os genintores do Sr. ANTONIO DE PÁDUA LEITE,
mais conhecido como Antonio de Luzia de Purana, que é o patrono da nossa banda
de música municipal. Seguindo o roteiro da Rua N. Sra. da Conceição, no mesmo
sentido Cemitério-Lagoa existe um casarão senhorial que, inclusive, foi o
primeiro imóvel residencial de Apodi construído totalmente em alvenaria, e que
constituía o segundo beco do "QUADRO DA RUA", e que era conhecido
como sendo O "BECO DE COTÓ", em referência à doceira e boleira mais
famosa de Apodi, que tinha o nome civil de MARIA PETRONILA DA SILVA, e que
era tia paterna do saudoso professor RAIMUNDO DE TIÃO LÚCIO. Esta casa faz
esquina com a casa do famoso dentista BURG, casado com dona Sulinha e pais de numerosa
prole. Seguindo no mesmo sentido, temos o terceiro beco, que é o que passa
ao lado da Agência do Banco do Brasil, cujo beco era conhecido como sendo o "BECO
DA MATANÇA", antiga denominação que se
dava ao matadouro municipal, cujo beco dava acesso ao lugar onde eram
abatidos os animais que eram vendidos no açougue público municipal.
Façamos
o retorno à Rua São João Batista, onde encontramos o seu segundo beco, que
era conhecido antigamente como sendo o "BECO DE
JOÃO DE BRITO", posto que no casarão senhorial que
dava início ao beco residia o Coronel JOÃO DE BRITO
FERREIRA PINTO. Este casarão foi vendido em 1940 ao Sr.
JOSÉ BRAZ DE OLIVEIRA, mais conhecido como ZÉ DE CÂNDIDO,
sendo certo que a partir daí ficou este dito beco conhecido como o
BECO DE ZÉ CÂNDIDO, cujo casarão senhorial foi demolido pelo seu proprietário
Raimundo da Cantina.
Este
beco é que dá início à Rua Dix-Sept Rosado. Durante muitos anos o Sr. Raimundo
de Rodolfo (Pai de Roberto de Leila Carla) possuiu um bar e mercearia na
esquina deste casarão. Depois de Raimundo, o Cutruco instalou seu bar no mesmo
local. O terceiro e último beco da Rua São João Batista (No que diz respeito
ao "Quadro da Rua") era conhecido como o BECO DA PADARIA DE ANTONIO
DUARTE, em referência ao Sr. ANTONIO DUARTE DÓRIA, cujo beco dá
início à Rua Coronel João de Brito, e onde é instalada a loja de tecidos
do Sr. João Lucas, pai do Vereador Nilson Fernandes. Com o passar do tempo,
esta padaria (panificadora) foi adquirida pelo Sr. ZÉ BOLACHA (José Ferreira da
Costa).
Com
estas abordagens históricas, que terá
continuidade no próximo domingo, resta configurada a necessidade das
escolas da cidade, por seus dignos docentes de história, elaborarem
calendários de visitações à estes logradouros e antigos prédios
e casas, para que não tenham suas histórias entregues à faixa silente do esquecimento.
Marcos
Pinto – Historiador e Presidente da Academia Apodiense de Letras.
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