Flaviano Dagoberto Ferreira de Andrade, Maurício Pereira Dantas e Marcônio Cruz do Nascimento. Talvez esses nomes para você, caro leitor, sejam apenas nomes comuns de pessoas desconhecidas. Porém, se forem substituídos por Dagô, Maurison e Marcônio Cruz, a probabilidade de você ter ouvido esses nomes é bem maior. O que eles têm em comum? A insistência de ser candidato por diversas vezes consecutivas para vários cargos eletivos.
Para muitos uma perseverança sem fundamento já que a probabilidade desses candidatos venceram é difícil já que, na maioria das vezes, são coligados aos chamados partidos nanicos e têm que lutar contra o poder econômico das grandes legendas. O fato é que os "eternos candidatos" podem até não conseguir se eleger sozinhos, porém os votos confiados a eles ajudam aos outros candidatos da coligação ou partido.
Se candidatar a um cargo eletivo apesar das dificuldades financeiras e de acesso à propaganda eleitoral gratuita, já que o tempo disponibilizado pela Justiça Eleitoral para essas legendas é extremamente curto, não intimidam essas pessoas.
No meio político, a participação desses candidatos é vista como uma espécie de trampolim para uma possível nomeação de familiares e apadrinhados políticos em cargos públicos da administração. Porém, os "eternos candidatos" garantem que a insistência em se candidatar tantas vezes, mesmo com a soma de decepções, retrata o desejo forte de participar ativamente da democracia brasileira.
Obstinação pode levar à CMN
A obstinação de se candidatar a diversos cargos públicos nas últimas eleições, pode levar Dagô a assumir uma cadeira na Câmara Municipal de Natal mesmo tendo obtido apenas 3.053 votos na eleição para vereador em 2008. Como ele é primeiro suplente da coligação integrada pelo DEM, partido ao qual é coligado, nas últimas eleições, pode assumir uma cadeira no legislativo municipal caso um dos vereadores Ney Júnior (DEM), Adão Eridan (PR) ou Paulo Wagner (PV) - que postulam uma vaga na Assembleia Legislativa - vença a disputa. "Tenho muita chance de assumir, mas queria mesmo era ganhar com meus votos", ressalta. Dagô disse que resolveu se candidatar porque começou a receber o apoio das pessoas que participavam do forró promovido por ele há alguns anos. Essa é a quarta campanha que Dagô disputa e ele garante que só desiste um dia quando o total de votos conseguidos em uma determinada eleição for menor do que no processo eleitoral anterior. Dagô diz que sempre conta com o apoio da família e que todos estão animadosna campanha deste ano. "Todas as minhas propostas como deputado estadual dessa vez são voltadas para os idosos. Uma classe que precisa de muito apoio", disse.
Maurisom na oitava disputa
O empresário Maurison (PRP) está na oitava candidatura. Ele já participou de processos eleitorais para vereador, prefeito, senador, deputado estadual e dessa vez disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados. É importante lembrar que o Rio Grande do Norte tem apenas oito vagas para deputado federal. Ele garante que a perseverança em se candidatar tantas vezes é por uma simples vontade de estar presente na campanha eleitoral. "É importante lembrar que Café Filho e Lula foram eleitos depois de terem sido candidatos em várias ocasiões", disse.
Maurison afirma que as dificuldades enfrentadas pelos candidatos dos partidos nanicos são sempre grandes porque têm que concorrer com os grupos maiores. "Não temos recursos para promover caminhadas, fazer comícios e, com isso, continuamos desconhecidos de boa parte do eleitorado já que o nosso tempo na televisão é curto", reclamou.
Nas eleições deste ano Maurison tem propostas específicas nas áreas de saúde e educação como diminuir em 50% o valor pago pelos clientes aos planos de saúde e distribuir material escolar aos alunos da rede pública.
Para "preservar direito político"
Marcônio Cruz (PRTB) disputa, em 2010, sua oitava campanha política. Ele já tentou se eleger para os cargos de vereador, deputado estadual, vice-prefeito, governador e prefeito. Em 2006 era filiado ao PSDC e teve sua candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas não desistiu. Dois anos mais tarde era novamente candidato e disputou uma vaga no legislativo municipal.
Marcônio garante que não se candidata para conseguir dinheiro ou emprego em órgãos públicos. O candidato afirma que a insistência em se candidatar tantas vezes "é uma forma de preservar o direito político do homem". O candidato criticou o Ministério Público e o Tribunal Regional Eleitoral "por fingir não saber quem são realmente os desonestos, mentirosos e aventureiros na política do Estado".
Como propostas nas eleições deste ano para o Senado, Marcônio diz promover a criação de bancos de leite nas maternidades do país, defender a pena de morte e instituir uma lei em que os detentos recém libertados dos presídios possam doar alguma órgão. "Eles não souberam tirar uma vida, por exemplo, porque não podem doar um rim ou uma córnea para tentar se redimir", alega o candidato.
Por Erta Souza, do Diário de Natal
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