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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

[espaço do leitor] Mão inglesa

02 de Abril de 2008

Alguns países adotaram a contramão de direção ou a mão inglesa, porque na era medieval os cavalos atrelados às carruagens circulavam à esquerda para manter livre a mão direita do cavaleiro. Como a maioria dos cocheiros era destra e empunhava a espada com a mão direita para lutar, logo sentavam à direita. No século XIX, Napoleão inverteu as mãos por dois motivos: porque era canhoto e queria identificar o inimigo à distância.


Como os ingleses sempre foram inimigos declarados dos franceses, os países pertencentes à Inglaterra por questão de honra permaneceram naquilo que pra nós é contramão, mas, outros países como o Brasil, adotaram a mão francesa que se tornou mundial. Atualmente, todo o Reino Unido, Índia, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Japão estão entre algumas nações de todos os continentes que mantêm a mão inglesa.


No Brasil, especificamente em João Pessoa, alguns engenheiros entenderam que os retornos dos canteiros centrais de algumas avenidas, devem ser construídos na contramão, de forma que dois carros ao cruzarem, um tire a visão do outro e vice e versa. O cruzamento normal de dois automóveis num retorno, dar-se-á quando os dois lados esquerdos estiverem coincidindo, assim como ocorre numa via de mão dupla. A contramão ou mão inglesa, já virou um hábito cultural entre os próprios motoristas da capital das acácias. No cruzamento entre dois canteiros, quando o motorista deve procurar contornar o meio fio do canteiro que está à direita, não, ele sempre contorna aquele que está situado à esquerda, tirando a visibilidade de ambos os condutores.


Na Avenida Beira Rio, por exemplo, a engenharia de trânsito fez uma verdadeira salada de mão inglesa com mão francesa. Na hora do rush, a forma adotada pelos técnicos do nosso sistema viário é uma pedra na chuteira dos motoristas. São pequenos engarrafamentos concentrados nos retornos, criados pela dificuldade de visão do cruzamento entre dois carros. O problema já não é essencialmente técnico, mas de prática e de inteligência.


Para disciplinar o trânsito de qualquer comuna carece apenas de educação. Acredito que todos lembram como era o comportamento do motorista ante a faixa de pedestre de ontem e de hoje. Não faz tanto tempo que a grande maioria dos motoristas cruzava a faixa em questão sem nenhuma observância e sem respeito ao transeunte. Entretanto, depois de sucessivas campanhas da STTrans, quase todos os condutores de João Pessoa, obedecem e respeitam o pedestre que cruza uma rua sobre a sinalização.


Com o crescente aumento da frota, existe uma necessidade de se buscar formas para fazer o tráfego fluir com maior celeridade, principalmente na hora do pique. Brasília, por exemplo, foi projetada para 500 mil habitantes e já tem cerca de dois milhões de almas, com avenidas concebidas sem cruzamentos e está enfrentando sérias dificuldades no trânsito. Avaliem meus caros leitores, o caso de outras cidades que nasceram sem nenhum planejamento viário, qual será o futuro delas? O de São Paulo, talvez, que está tentando inutilmente disciplinar o trânsito através do controle das placas pares e ímpares, para circularem apenas em dias alternados.


Todavia, alguns energúmenos da classe política querem a regulamentação do transporte clandestino. Como ficará essa zorra? Confusão geral! Doravante, o homem terá que buscar acomodações no infinito!

Bruno Coriolano de Almeida Costa
Graduado em Letras e Literaturas Inglesa e Americana - UERN
Esp. em Língua Inglesa - FVJ. Prof. de Inglês no SENAC - RN
Prof. do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - IFRN.

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